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Justiça proíbe Bradesco de fechar única agência em cidade baiana
Publicado em 22/06/2026
Fonte: Diário do Estado
A Justiça da Bahia determinou que o Bradesco mantenha a única agência bancária na pequena cidade de Macururé, que conta com 7,2 mil habitantes, localizada no sertão baiano. O juiz Dilermando de Lima Costa Ferreira, da 1ª Vara de Chorrochó, emitiu uma liminar na última quarta-feira (15), que impede o fechamento do Posto de Atendimento Bancário (PAB), programado para acontecer na sexta-feira (19). Essa decisão é resultado de uma ação civil pública movida pela prefeitura de Macururé, em resposta ao anúncio do Bradesco sobre o encerramento das atividades presenciais e a migração dos serviços para a agência de Chorrochó, distante mais de 30 km.
O banco argumentou que os canais digitais e a existência de sete correspondentes comerciais na área seriam suficientes para atender à demanda local. No entanto, essa justificativa não convenceu o magistrado. “A decisão unilateral do banco de descontinuar o atendimento presencial sem um plano de contingência fere o interesse público”, garantiu o juiz. A decisão é especialmente significativa, pois atende não apenas às necessidades de atendimento da população, mas também à operacionalidade da economia local.
O impacto dessa decisão é substancial. O fechamento da agência quase interromperia o possível acesso a recursos financeiros essenciais para 127 servidores que mantêm empréstimos consignados ativos com o banco, normalizando sua folha de pagamento. Além disso, o juiz enfatizou que a falta de atendimento presencial agravaria as dificuldades para a população rural, que depende do suporte humano para operações como recuperação de senhas e emissão de cartões, especialmente em uma comunidade com alta proporção de idosos e usuários com pouco conhecimento digital.
Por que o fechamento da agência é um problema?
A decisão judicial destaca a necessidade de manter acesso à serviços financeiros tradicionais em comunidades de pequeno porte, evidenciando que o fechamento da agência compromete a vida cotidiana da população. A presença do banco local é crucial para evitar riscos de segurança pública e logística. Com o fechamento, os saques de folha de pagamento teriam que ser realizados em pequenos comércios, colocando em risco a integridade física dos usuários ao não contar com segurança adequada.
A situação também prejudicaria o comércio local, uma vez que obrigaria os cidadãos a se deslocarem para Chorrochó para acessar seus recursos, gerando custos adicionais e complicando a logística financeira da cidade. O empresário local ficaria em desvantagem, uma vez que a evasão de recursos poderia prejudicar diretamente a economia de Macururé. Ao fim, a decisão judicial se mostra uma medida de proteção à cidadania e ao micro comércio da região.
O fechamento não apenas representa uma barreira no acesso ao atendimento essencial, mas também teria impactos diretos nas relações entre o banco e seus clientes. Ao forçar a digitalização e a automação de serviços, o Bradesco transfere a responsabilidade pelas operações atuais para seus usuários, que agora precisam gerenciar suas próprias transações financeiras sem suporte. Tal movimento pode levar a um aumento nos erros nas operações e descontentamento geral com a imagem da marca no mercado.
Quais são as implicações econômicas deste caso?
A situação do Bradesco em Macururé reflete um contexto mais amplo do setor bancário, que nos últimos anos vem se reestruturando com a digitalização e o fechamento de agências. Dados recentes apontam que o lucro líquido do Bradesco cresceu 16,1% no primeiro trimestre de 2026, atingindo R$ 6,81 bilhões, em comparação com o mesmo período de 2025. Isso levanta questões sobre como a movimentação financeira e as estratégias de crescimento impactam as comunidades menores.
A expectativa é de que com a digitalização aumentem as taxas de inclusão financeira, mas o fechamento de agências representa um retrocesso, aumentando a exclusão das populações rurais. Ao mesmo tempo, o crescimento constante do lucro do Bradesco sugere que as operações estão cada vez mais concentradas nas áreas urbanas, onde a infraestrutura para serviços digitais e físicos já está consolidada. Essa concentração provoca uma disparidade no acesso a serviços financeiros entre cidades grandes e pequenas neste cenário.
Além disso, a movimentação do Bradesco convida a uma reflexão sobre a responsabilidade social das instituições bancárias. O presidente do Sindicato dos Bancários da Bahia, Elder Perez, menciona que a digitalização irrestrita pode transferir a responsabilidade pelas operações financeiras diretamente para o cliente. Isso implica em que os consumidores portem os custos de erros e problemas, mesmo sendo cobrados por serviços que deveriam oferecer suporte direto.
Qual é o próximo passo para o Bradesco?
Após a decisão judicial, o Bradesco teve o prazo de 15 dias para apresentar sua contestação sobre a liminar. Essa ação ilustra o equilíbrio cada vez mais complexo entre a viabilidade econômica de instituições financeiras e as necessidades dos consumidores, especialmente em regiões que ainda dependem de modelos de atendimento tradicionais. A resolução do caso pode servir como um teste para outras agências que enfrentam decisões similares no futuro, traçando um possível novo padrão nas relações entre bancos e pequenas comunidades.
Nos próximos meses, será crucial acompanhar as movimentações do órgão regulador e a resposta do Bradesco a esse caso. Os especialistas e o próprio mercado financeiro observam de perto o impacto desta decisão, tanto do ponto de vista financeiro quanto social. Essa situação já provocou uma onda de discussão sobre o papel das agências bancárias em comunidades pequenas e aponta a necessidade de um modelo que atenda melhor às suas especificidades.
Assim, enquanto o Bradesco se posiciona em relação à demanda do Judiciário, a expectativa é que este caso alimente um debate mais profundo sobre o futuro dos serviços bancários em regiões onde a digitalização ainda não é capaz de substituir o atendimento físico adequado. O futuro das operações bancárias em locais como Macururé depende de se as instituições reconhecerão a necessidade de uma abordagem mais equilibrada, e respeitosa, com a sua clientela.