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Itaú insiste na vinculação do bolsa educação ao termo de quitação das horas extras

Itaú insiste na vinculação do bolsa educação ao termo de quitação das horas extras

Publicado em 04/07/2025

Fonte: Fetec-CUT/PR

 Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal (MPT-DF) realizou nesta quarta-feira (2) uma audiência de mediação entre o Itaú e os bancários e bancárias do banco, que foram representados pela Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-CUT/PR), pela Federação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro de Minas Gerais (Fetrafi-MG), e pela Federação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito do Centro Norte – (FETEC-CUT/CN). A audiência é uma tentativa do MPT de buscar uma conciliação nos pontos controversos entre as partes.

Participaram pelo Paraná o presidente da Fetec, Deonisio Schmidt, e a presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região, Cristiane Zacarias.

O Ministério Público do Trabalho chegou a propor uma solução equilibrada: que o banco retirasse do acordo a cláusula de quitação das horas extras, abrindo caminho para o acordo. No entanto, o Itaú recusou qualquer diálogo real e manteve uma postura intransigente, afirmando categoricamente: “ou assina tudo, ou não assina nada”.

Essa rigidez escancara o verdadeiro objetivo do banco — e é aí que o movimento sindical identifica a gravidade da proposta. O Itaú tenta impor uma chantagem institucional, trocando uma conquista histórica dos trabalhadores, como a bolsa educação, pela quitação de um direito inegociável: as horas extras devidas.

Em outras palavras, o banco oferece um benefício que já deveria ser garantido em troca da renúncia de direitos conquistados com muita luta. Trata-se de uma armadilha calculada, que coloca o trabalhador em desvantagem e revela, mais uma vez, o desrespeito do Itaú com quem realmente sustenta seus lucros.

Para o movimento sindical isto é gravíssimo, pois o Itaú tenta impor a insegurança jurídica aos funcionários para se livrar dos excessos que ele mesmo comete. “O banco tenta chantagear os bancários, buscando obrigar funcionários e os sindicatos a validar termo de quitação, de forma que, atestariam que não teriam mais nada a reclamar. Pergunto: quantas vezes você foi obrigado a fazer visita a clientes, ou ficar na agência ou mesmo em sua casa, produzindo para fechar metas após o expediente? Quantas vezes você recebeu comunicado de metas durante finais de semana, feriados, durante as noites? Reuniões fora do ponto? É disso que estamos falando. Não é melhor o banco cumprir a jornada de trabalho?” afirma o presidente da FETEC-CUT/PR, Deonisio Schmidt.

Para Cristiane, o sindicato está desempenhando o seu papel em preservar os direitos dos bancários e bancárias do Itaú. “Vamos continuar a insistir na negociação, pois entendemos que proposta de mudança é negociada. Não é com ameças que se faz um acordo, pois isso desrespeita todos os princípios de um processo negocial coerente, transparente e saudável. A insistência de o banco em quitar esse passivo do banco de horas nos preocupa porque identificamos na nossa base diversos problemas relacionados a este assunto. Enquanto não sanar esta questão efetivamente, não será possível o sindicato concordar com um conteúdo que prejudica o futuro destes trabalhadores e trabalhadoras”, encerra.