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OPINIÃO | 25 anos sem o Banestado: defender a soberania é defender o patrimônio público. Por Marisa Stedile
Publicado em 20/10/2025
Fonte: Seeb Curitiba
Passados 25 anos da privatização do Banco do Estado do Paraná (Banestado), ainda nos cabe perguntar:
- Os envolvidos na remessa ilegal de dinheiro ao exterior por meio do Banestado responderam criminalmente? Não! O valor movimentado chegou a 134 bilhões de dólares. O juiz foi Sérgio Moro, o doleiro Alberto Youssef, o Procurador era Celso Três e o delegado da Polícia Federal (PF) era José Castilho. Políticos, empresas de comunicação, grandes empreiteiras e executivos envolvidos, as penas prescritas e ninguém preso.
- O Estado melhorou a educação? Não! Pelo contrário, o orçamento da Educação está sucateado, a Previdência dos servidores foi arrombada e os professores massacrados literalmente com bombas e balas de borracha em 2015.
- O Estado melhorou a saúde? Não! O cidadão é empurrado para “planos de saúde” populares, o governo aprova a terceirização contratando ONGs e OSCIPs sem licitação.
- O Estado melhorou a segurança pública? Não!
- Os grandes devedores (tomadores de crédito) pagaram o que deviam ao Banestado? Não! Em 2013, havia 1.243 somando R$ 1,5 bilhão em contratos devedores (entre pessoas físicas e jurídicas), 66 delas eram inferiores a R$ 45 mil e as dívidas foram perdoadas. As dívidas acima desse valor poderiam ter descontos de até 50%.
- Quem financia programas habitacionais? A Caixa Econômica Federal.
- Quem financia a agricultura? O Banco do Brasil.
Em 2025, o projeto privatista ainda apresenta-se ao povo brasileiro como um ideal para a direita empresarial. E velhos nomes da velha política privatista se somam aos novos e oportunistas da extrema-direita, que pretendem dar sequência ao antigo programa interrompido em 2003 com a eleição de Lula.
O governo petista retomou o papel desenvolvimentista do Estado brasileiro, para isso a Caixa e o BB desempenharam papéis fundamentais. O papel dos bancos públicos é a regulação do Sistema Financeiro Nacional, o contraponto à política especulativa de juros escorchantes da banca privada. Enfim, guardiões da soberania brasileira. Olhemos para o passado recente e tomemos as devidas lições.
Em 2026, a sociedade brasileira deverá ficar atenta e expurgar da vida pública os vendilhões, aqueles que apenas legislam em causa própria.
Defender a soberania nacional é defender o patrimônio público!
Marisa Stedile é bancária aposentada e ex-presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região.